domingo, dezembro 20, 2009
a,liás
De aparecer alguém que mexe, desconserta e depois perdura
Como também some
E é bom que seja sumido!
Como é difícil viver na ditadura do pré-julgado amor
É aquele que pode “condenar” o coração a ser mexido quando não se deve
Ah aqueles olhos penetrantes!
Que só foram vistos em uma minúcia de minutos, mas flutuam na mente que tenta desconstruir a inesperada lembrança
Mas vão dizer que aquele rapaz é um pervertido que subestima a sua e a outra dama
Mas o homem tem dessas coisas
Acontece, deságua e até vira esfinge
Ou desengano, desarmonia, destrato
Naquele acervo das leituras e imaginações é difícil o detalhe do rosto
É tanta oportunidade de se descuidar, deslembrar, ignorar
Aliás, eu mesmo pré-julgo esses chiliques amorosos, é nada de fundamental
Aliás, deslembre o fundamental nada é essencial na vida
Aliás, olvide o essencial porque tudo depende do momento
Aliás, perca o momento o que importa são os detalhes
Aliás, esqueça os detalhes dessa declamação
Não é para ser entendido, nem pré-apreciado ou julgado
Pode até ser lido e refletido, como um jogo de palavras.
Porque no fundo todo ser humano é covarde
Fraco em suas atitudes não expostas e mensagens subliminares
Que se atrasam em cada adjetivo
Que em cada vocábulo o que predomina é a dúvida
Pobre do Homem declarante
Não é melhor misturar tudo isso e chegar a um sujeito?
quarta-feira, novembro 18, 2009
sexta-feira, novembro 13, 2009
O menino chorava no Derby
E o menino?
sábado, agosto 22, 2009
Dor e amor
Não posso.
E o vento bom que te refresca a pele?
Tão pouco.
Mas é que o tempo me levou essa história e não me deixou nenhum rascunho
Nenhum, nem um papel velho escrito “Eu te amo”
De ti só ficaram as marcas, feitas com dor e amor
E um tanto de inveja dos que ainda podem te tocar e sentir um afago
Ainda que dado sem nenhum retorno.
quinta-feira, agosto 20, 2009
Ilusão Hermaníaca
Igual àquela flor do verão que você me deixou
Será que vou me tornar de novo o vencedor?
Como no frevo dançado de um pierrot
Ou num samba a dois criado por um certo compositor
Parecendo uma canção de fim de carnaval que de ti fez-se mar
Mas, falando sério,
onde vou arranjar calma para ir te buscar?
Depois de tantas lágrimas sofridas sem ter você
E depois das primaveras me vejo como mais velho
Lembrando dos tempos que era mais moço,
desvendando teus mistérios
Mas além do que se vê ainda não foi embora esse chato querer
Acho que o pouco que sobrou dos últimos romances
Me condicionaram a te desejar só em horizontes distantes
E agora me acovardo como um cara estranho e sentimental
Deixando do lado de dentro o meu amor por você, imoral
Tenha dó, agora que és de lágrima o meu ser
Meu coração não agüenta se sentir tão sozinho,
não quer mais sofrer
Esse azedume que ficou no meu peito
Pois é morena, não quero mais ter
Ele prefere dar adeus a você
Quer virar um cara valente para ter outro alguém
Não quer fingi na hora rir e ter liberdade de seguir
Ta bom, assim que é então assim será
Vai embora esse sentimento,
me deixa arranjar um outro par
Que chegue em barco, por um pássaro,
Ou santa chuva trazida de qualquer lugar
Essa conversa já está batida
E nenhuma outra apareceu em minha vida
Esses meus andares, não sei mais aonde chegar
Não tem nenhuma descoberta, nenhum outro lugar
Quer saber? Cansei, deixa estar...”
sexta-feira, agosto 07, 2009
Amor é síntese
Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito amor.
Mário Quintana
segunda-feira, julho 27, 2009
papo em bar
- acho que ta na hora de irmos
-que nada eu quero pegar aquela mulher
-ela tem namorado parceiro, esquece isso
- eu sempre quero as mais difíceis, é mais excitante
- você sempre complica as coisas, olha aquela ali é mais gata, olha que peitos lindos
- eu só quero saber dela, para de me enrolar
- um dia você vai se da mal
- eu já me dei mal
-que nada, rs. ta bom conta ai
- no dia em que gostei de alguém que me traiu com qualquer um
- ah, que nada, nós somos qualquer um para aquela ali dos peitos gostosos, vamo nessa!!!
- prefiro pegar ela e pagar de gatão... tu prefere sofrer por aquela solteira cheia de ilusões ou aquela que tu sabe que nunca vai te amar?
domingo, julho 26, 2009
Marginal Recife e o problema futuro do presente do povo.
Esta cidade é tão bonitinha... Tem ruínas no Antigo, tem casinhas coloridas. E os rios? Eles vão cortando a cidade... e cortam, cortam... Muitos são cortados. Bêbados jogados, filhos sem mãe, putas nas ruas e poetas marginalizados! Poetas das letras, poetas dos sons, das pinturas, das imagens. A arte que foge dos rios de dinheiro fica à margem. Tantas luzes na cidade... Vocês já notaram como ela é bonita? Tem ponte, tem marquise. E tem quem em baixo delas fica. Se embaixo do rio corre lixo, ninguém vê. Dias desses, eu andava na parte bonita, tem até um Passo em frente ao rio. O rio estava perto e já não era tão belo. Olhei pra baixo e os peixes jaziam, ali, imóveis e imortalizados. Por quem? Por minhas lentes que os marcaram. Talvez também por “alguns alguéns” que passavam. Olhavam, cismavam e sacudiam a cabeça contrariados. Um senhor parou e disse: “Que tristeza, tanto peixe jogado e tanta gente com fome”. Ele pensou bem, pensou na barriga do povo. Mas os netos do povo, desse jeito, não terão nem barriga mais... Não haverá nem marginais! E a cidade não terá nem peixes, nem povo. E quem vai consumir os produtos do circuito? Quem vai ocupar as galerias de arte, os cinemas cheios de salas e comprar livros de capa bonita na livraria mais bonita ainda? É de se pensar... se essa teoria aí falhar, me dêem toda a razão, porque se assim for, eu terei perdido toda ela.
Estou falando de meio-ambiente, de arte e de guerra. Parece confusão, mas não é não. Te relação tudo isso. Se eu não tenho água pra beber, fico vivo? Se eu não ficar vivo, faço arte? Se eu não tiver dinheiro, faço arte também? Até que faço, mas quase ninguém vê. Você vê cada mendigo por que passa? Vê nada! E se ele desenhar bem? Você vai ver? Fica difícil... E se meu rio não é mais bonito? Também posso fazer uma foto bonita do rio feio! Que artístico! “A denúncia da futura morte do rio”. Depois que ele morrer, faço “O registro do que era um rio”. E agora? Não tem mais o que fazer... já morri e os filhos dos meus filhos nem vão nascer.
Li Miró dizer (dá licença Miró?): “Recife/ Cidade das pontes/ E das fontes da miséria/ Poetas mendigando passes/ Pra voltar pra casa/ E sua poesia passando despercebida/ Aliás,/ Nem passa.” Miró é poeta marginal e sabe o que fala. Quem não sabe, vá procurar saber! E me denuncio acerca do nome dessa falação aqui, o poema citado chama-se “Marginal Recife”, e o problema é isso tudo que está aí. Que resmungo, que protesto. Espero que me sirva de alguma coisa. Mas serve não... bem, talvez sirva. Percebi agorinha, num estalo, que essa falação não é só desabafo. É arte. E arte das brabas!
