segunda-feira, julho 27, 2009

papo em bar

- Ei passa o copo
- acho que ta na hora de irmos
-que nada eu quero pegar aquela mulher
-ela tem namorado parceiro, esquece isso
- eu sempre quero as mais difíceis, é mais excitante
- você sempre complica as coisas, olha aquela ali é mais gata, olha que peitos lindos
- eu só quero saber dela, para de me enrolar
- um dia você vai se da mal
- eu já me dei mal
-que nada, rs. ta bom conta ai
- no dia em que gostei de alguém que me traiu com qualquer um
- ah, que nada, nós somos qualquer um para aquela ali dos peitos gostosos, vamo nessa!!!
- prefiro pegar ela e pagar de gatão... tu prefere sofrer por aquela solteira cheia de ilusões ou aquela que tu sabe que nunca vai te amar?

domingo, julho 26, 2009

Marginal Recife e o problema futuro do presente do povo.


Esta cidade é tão bonitinha... Tem ruínas no Antigo, tem casinhas coloridas. E os rios? Eles vão cortando a cidade... e cortam, cortam... Muitos são cortados. Bêbados jogados, filhos sem mãe, putas nas ruas e poetas marginalizados! Poetas das letras, poetas dos sons, das pinturas, das imagens. A arte que foge dos rios de dinheiro fica à margem. Tantas luzes na cidade... Vocês já notaram como ela é bonita? Tem ponte, tem marquise. E tem quem em baixo delas fica. Se embaixo do rio corre lixo, ninguém vê. Dias desses, eu andava na parte bonita, tem até um Passo em frente ao rio. O rio estava perto e já não era tão belo. Olhei pra baixo e os peixes jaziam, ali, imóveis e imortalizados. Por quem? Por minhas lentes que os marcaram. Talvez também por “alguns alguéns” que passavam. Olhavam, cismavam e sacudiam a cabeça contrariados. Um senhor parou e disse: “Que tristeza, tanto peixe jogado e tanta gente com fome”. Ele pensou bem, pensou na barriga do povo. Mas os netos do povo, desse jeito, não terão nem barriga mais... Não haverá nem marginais! E a cidade não terá nem peixes, nem povo. E quem vai consumir os produtos do circuito? Quem vai ocupar as galerias de arte, os cinemas cheios de salas e comprar livros de capa bonita na livraria mais bonita ainda? É de se pensar... se essa teoria aí falhar, me dêem toda a razão, porque se assim for, eu terei perdido toda ela.

Estou falando de meio-ambiente, de arte e de guerra. Parece confusão, mas não é não. Te relação tudo isso. Se eu não tenho água pra beber, fico vivo? Se eu não ficar vivo, faço arte? Se eu não tiver dinheiro, faço arte também? Até que faço, mas quase ninguém vê. Você vê cada mendigo por que passa? Vê nada! E se ele desenhar bem? Você vai ver? Fica difícil... E se meu rio não é mais bonito? Também posso fazer uma foto bonita do rio feio! Que artístico! “A denúncia da futura morte do rio”. Depois que ele morrer, faço “O registro do que era um rio”. E agora? Não tem mais o que fazer... já morri e os filhos dos meus filhos nem vão nascer.

Li Miró dizer (dá licença Miró?): “Recife/ Cidade das pontes/ E das fontes da miséria/ Poetas mendigando passes/ Pra voltar pra casa/ E sua poesia passando despercebida/ Aliás,/ Nem passa.” Miró é poeta marginal e sabe o que fala. Quem não sabe, vá procurar saber! E me denuncio acerca do nome dessa falação aqui, o poema citado chama-se “Marginal Recife”, e o problema é isso tudo que está aí. Que resmungo, que protesto. Espero que me sirva de alguma coisa. Mas serve não... bem, talvez sirva. Percebi agorinha, num estalo, que essa falação não é só desabafo. É arte. E arte das brabas!